Torres Vedras

“Torres Vedras – Cidade dos Livros” destacou criação, IA e novas linguagens artísticas

29.04.2026

performance na Igreja de Santiago

Entre 10 e 23 de abril, Torres Vedras voltou a afirmar-se como “Cidade dos Livros”, numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Torres Vedras, com organização da Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino e da Biblioteca Municipal. O evento contou com a participação de cerca de 1.800 pessoas.

Sob o tema “Criação Literária e Artística e IAGen: Com que linhas nos cosemos?”, a 7.ª edição de “Torres Vedras – Cidade dos Livros” propôs uma reflexão sobre os processos de criação artística e literária na era da inteligência artificial generativa, promovendo o diálogo entre autores, artistas, comunidade escolar e público em geral.

A programação, de caráter multidisciplinar, decorreu em vários espaços do Concelho, com destaque para a Igreja de Santiago, a Biblioteca Municipal e a Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino, estendendo-se também à livraria Story Owl, localizada na Cidade, à Adega Cooperativa de Carvoeira e ao Centro Cultural e Recreativo Os Pescadores de Cambelas.

Ao longo de duas semanas, o evento integrou feira do livro, exposições, performances, espetáculos, oficinas, debates e apresentações, reunindo criadores nacionais e comunidades locais em torno da leitura, da ilustração, das artes visuais e da inteligência artificial.

A Feira do Livro, com curadoria da Promobooks, constituiu um dos principais polos da programação, reunindo editoras e obras nas áreas da Literatura, Educação e Arte.

No plano expositivo, destaque para projetos como “Mãos que criam, mãos que contam em Torres Vedras – Cartografias têxteis”, que envolveu a comunidade sénior e escolar. Transformação – 3.ª edição do Concurso de Ilustração e Ilustra um livro de ficção científica, exposições dedicadas à criação contemporânea, contaram com a participação de alunos do Ensino Secundário de Torres Vedras, esta última com a coprodução da artista Vanessa Éffe. De destacar ainda Robô invade contos de Grimm, em que colaboraram as bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas Madeira Torres, e Senhor Lobo, Ilustrações de Imprensa, do artista André Carilho, também interveniente num debate sobre o impacto da IA na criatividade, a par de Arlindo Oliveira e João Reis, com moderação de Isabel Lucas.

A programação incluiu ainda performances e espetáculos que cruzaram livros, tecnologia e criação artística como Em Linha, que assinalou a abertura da bienal, e iniciativas como “Blade Reader – Leitura Iminente”, com direção artística de Gonçalo Oliveira e Natália Vieira e dinamizada pelo Coletivo Argonautas do Futuro. “Desenhos Efémeros – Desenho Digital em Tempo Real” permitiu aos visitantes da Igreja de Santiago assistir a um desenho digital em tempo real projetado para o interior do edifício, por António Jorge Gonçalves. O artista dinamizou igualmente a palestra “A ideia é tua ou o código?”, um momento em que se refletiu sobre a capacidade de brincar a partir do que existe, o humor, a intuição e a crítica, a par da tecnologia.

Entre as atividades participativas, destaque para o “Mapa Literário – Arte Participativa”, que convidou os visitantes a participar numa cartografia coletiva, e para a “Reading Party”, que se realizou na Igreja de Santiago, onde os presentes puderam ler ao som da música a cargo do DJ Vasco. A programação incluiu ainda propostas dirigidas a diferentes públicos, como o espetáculo A minha solidão devia ter asas, que decorreu no Teatro-Cine de Torres Vedras e propôs uma reflexão sobre a solidão e as relações humanas, e a produção infantojuvenil Nariz Comprido, Pernas Curtas, apresentada na Igreja de Santiago e dinamizada pelo Coletivo Apanha Palavras.

As oficinas e ações formativas que se desenvolveram a partir da iniciativa cultural “Torres Vedras - Cidade dos Livros”, centraram-se na literacia digital e criativa, com propostas como a formação sobre ferramentas práticas de inteligência artificial, por Luís Varela; e uma oficina de escrita criativa, dinamizada por Inês Lampreia. Danuta Woyciechowska dinamizou a atividade “Collage Party”, em que foram utilizadas revistas, fotografias e materiais reciclados na representação de ideias.

O ciclo de debates abordou o impacto da IA na criação artística e na leitura, com iniciativas como “Ler, criar, recriar: Literatura com IA?”, onde participaram alunos de Literatura Portuguesa da Escola Secundária Henriques Nogueira; “Literatura sem Gatekeeping: Crítica Literária, Hype e Credibilidade”, moderado por Rita da Nova, com a participação de Elga Fontes e Margarida Azeredo; e “O Futuro da Leitura: Homo vs Machina”, com moderação de Manuel Nogueira e dinamização de Tiago Belotte e Nelson Nunes.

No âmbito das apresentações, Jorge Rio Cardoso deu a conhecer a sua obra Mais IA: Educação Humanista na Era da Inteligência Artificial, enquanto Filipa Amorim, cujas narrativas dos livros se desenrolam no Concelho, e Sandra Costa Santos, autora torriense, participaram num encontro literário com o público.

A iniciativa encerrou a 23 de abril, Dia Mundial do Livro, com uma campanha de oferta de 200 livros pela Biblioteca Municipal, que contou com a colaboração de uma turma de alunos da Escola Básica da Conquinha. No mesmo dia, no Centro Cultural e Recreativo Os Pescadores de Cambelas, foi apresentado o espetáculo Cantigas, que deu a conhecer o 2.º tema do projeto “AVOZ”, no qual participaram crianças e seniores em volta do som, música e partilha. Decorreu ainda o encontro da comunidade de leitores da Biblioteca Municipal, para uma conversa sobre o livro Será que os androides sonham com ovelhas elétricas?, mediada por Gonçalo Oliveira.

Segundo Goretti Cascalheira e Joana Maia, responsáveis pelas unidades de Bibliotecas Municipais e Galerias Municipais de Torres Vedras, respetivamente, o programa cumpriu o objetivo de aproximar a comunidade dos livros e das práticas artísticas contemporâneas, estimulando a leitura, a criação e o pensamento crítico face às transformações tecnológicas na Cultura.

Última atualização: 29.04.2026 - 16:47 horas
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