Ciclo de Órgão de Torres Vedras celebrou uma década de música e património
01.06.2026
A edição de 2026 do Ciclo de Órgão de Torres Vedras, uma organização da Câmara Municipal de Torres Vedras e da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras, decorreu entre os passados dias 21 de março e 26 de maio.
O encerramento desta edição ficou marcado por um momento particularmente simbólico, assinalando os dez anos deste ciclo, que se tem afirmado como um evento cultural ao serviço da Cidade e das pessoas, através de uma oferta cultural autêntica que celebra a música, a partilha, a história, a sociedade e o património de Torres Vedras.
O momento comemorativo decorreu durante um concerto “À la Carte” e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Sérgio Galvão. A ocasião foi celebrada pelos presentes com o cantar dos parabéns, seguindo-se um brinde e o corte do bolo de aniversário.
À semelhança das edições anteriores, o órgão histórico da Igreja da Misericórdia assumiu-se como o “anfitrião” do evento. Recorde-se que este instrumento foi construído por Bento Fontanes, em 1773, e restaurado pelo mestre organeiro Dinarte Machado, em 2008, com o objetivo de devolver ao órgão a sua originalidade e valor sonoro histórico.
A edição deste ano iniciou-se com um dos três grandes concertos do ciclo: um Candlelight Concert, realizado precisamente a 21 de março, data de nascimento de Johann Sebastian Bach. O concerto contou com a participação da atriz Linda Valadas e do ensemble Afecti in Trio, composto pela cantora Patrycja Gabrel e por Duncan Fox, no violone, proporcionando um momento emotivo de celebração da música de Bach, através de cenas da Paixão, narrações e dramatizações.
No dia 28 de março realizou-se a Missa do Ciclo, um momento religioso e de ação de graças pelos dez anos de atividade ao serviço da Cultura em Torres Vedras, que contou com a participação da Schola Cantorum da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras.
O segundo concerto decorreu no dia 19 de abril e teve como protagonista o organista Rui Paiva, um dos mais destacados intérpretes nacionais dedicados à música antiga ibérica. Através da interpretação de peças virtuosas de compositores ibéricos e europeus da Renascença e do Barroco, o músico apresentou de forma singular o órgão Bento Fontanes. O concerto contou ainda com a participação da classe de coro do Conservatório de Música da Física de Torres Vedras, valorizando o trabalho dos jovens torrienses através da interpretação de peças vocais do tempo pascal.
O terceiro concerto do Ciclo de Órgão de Torres Vedras realizou-se na tarde de 24 de maio, encerrando esta edição comemorativa. O concerto contou com a participação do jovem organista Thibault Fajoles, um dos organistas titulares da Catedral de Notre Dame de Paris, que brindou o público com improvisações contemporâneas. Durante o espetáculo foram igualmente interpretados quatro motetos do jovem compositor Paulo Novado, vencedor do Prémio Nacional de Composição Pedro de Araújo, em 2020, encomendados especificamente para esta ocasião, tornando o momento particularmente marcante.
É de salientar a significativa afluência de público registada nos três grandes concertos — não obstante a transmissão online dos mesmos —, com participantes de diferentes faixas etárias e provenientes não apenas do Concelho, mas também de outras regiões do país e do estrangeiro. O público revelou-se sempre atento, participativo e fiel ao evento.
Refira-se igualmente que os grandes concertos do Ciclo de Órgão de Torres Vedras continuam a ser comentados e contextualizados através de uma linguagem acessível, contribuindo para a democratização da oferta cultural.
Outra componente deste ciclo são os miniconcertos “À la Carte”, realizados durante 15 minutos, no período da pausa de almoço, pelas 13h15. Nestes momentos, o público pode escolher as peças que pretende ouvir a partir de um “cardápio musical” apresentado pelo organista e diretor artístico do evento, Daniel Oliveira. Em 2026, estes miniconcertos decorreram às terças-feiras do mês de maio, proporcionando momentos de relaxamento, contemplação e introspeção, muito apreciados pelo público e que marcaram o quotidiano da Cidade.
Importa ainda destacar que o Ciclo de Órgão de Torres Vedras continua a afirmar-se como uma iniciativa gratuita, “de todos e para todos”, evidenciando uma forte adesão e participação do público nos seus diversos momentos. Com participações nacionais e internacionais de relevo, o evento tem vindo a posicionar Torres Vedras no panorama dos festivais internacionais de órgão realizados a nível europeu.
É também de relevar o espírito de cooperação entre as várias entidades envolvidas na organização do Ciclo de Órgão de Torres Vedras, que contou este ano com a parceria institucional do Patriarcado de Lisboa, das Paróquias de Torres Vedras, do Conservatório de Música da Física de Torres Vedras, da Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras, da Cultur’Canto – Associação Cultural e da Antena 2.


