Torres Vedras

Agenda

Visiones | Tributo a Garcia Lorca nos 90 anos da sua morte

Temporada Darcos 2026

18 de novembro de 2026 | quarta | 21h00

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Local: Teatro Maria Matos, Lisboa

Esta atividade integra o(s) programa Temporada Darcos 2026 - 19.ª edição

Nos 90 anos (1926 - 2026) do fuzilamento de Federico García Lorca (1898 -1936), figura maior da lírica castelhana do século XX, por militares falangistas, nas vésperas do eclodir da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), chega-nos o CD Visiones, o ciclo de canções homónimo de Nuno Côrte-Real (1971), com poesia do malogrado poeta.

Ciclicamente, somos fustigados por ventos oscilantes, onde as raízes que nos prendem à mundividência parecem soltar-se. Oscilamos, qual barca à deriva, sem norte, sem vento, sem maré. É o caminho da incerteza, de sombras oblíquas, povoado de visões e espectros. Até onde caminhamos? Lorca procurou dar resposta a este sentimento, através de uma obra impregnada de visões poético-musicais de paixão e morte, de premonições, de desenganos, num arrebatamento desconcertante sem paralelo na história da poesia ocidental. Disso é exemplo o Divã de Tamarit, coletânea de 21 poemas escritos durante os verões de 1931 - 1934, na Huerta de San Vicente, a sua casa familiar de veraneio, às portas de Granada. Os poemas dividem-se em 12 gazeis e 9 casidas, formas poéticas da herança árabe granadina (divã é o termo para, justamente, uma coleção de gazeis e casidas). O ciclo de canções Visiones faz uso de sete poemas desta obra: os gazeis Del amor imprevisto, Del amor desesperado, Del amor maravilloso e Del niño muerto; e as casidas De la mujer tendida; De la muchacha dorada e De las palomas oscuras. Como motivo unificador, o tema do 1º andamento do trio op.97 de Beethoven (1770 - 1827), uma idée fixe que percorre a atmosfera elegíaca do ciclo, encerrando-o. Igualmente, dois corais de Johann Sebastian Bach (1685-1750), pontos de referência no horizonte obscuro da lírica de Lorca, nas palavras do compositor. São espetros poético-musicais, onde a dignidade, e a sua ausência, amor e morte, vão para além do surrealismo lírico, em jeito de apaziguamento pétreo. No horizonte criativo de Côrte-Real esteve a voz caleidoscópica de Maria Mendes (1985), figura aclamada do jazz europeu. Sendo a única artista portuguesa no feminino a receber uma nomeação para os Grammy Americanos, e que em 2020 venceu o prestigiado EDISON Jazz Awards. É famosa a entrevista de Lorca a Luis Bagaría, redator do El Sol de Madrid, em que se afirma partidário “dos pobres, dos que não têm nada”, não havendo forma de evitar a compaixão pelos “perseguidos, o cigano, o negro, o judeu, o mouro que todos trazemos dentro de nós”. Visiones é uma longa interrogação sobre a vida. A barca partiu, mas o destino é incerto.

Ciclo de canções de Nuno Côrte-Real escritas para a voz de Maria Mendes

I. Preludio

II. Del amor maravilloso

III. Del niño muerto

IV. Coral I

V. De la mujer tendida

VI. Del amor desesperado

VII. De las palomas oscuras

VIII. Coral II

IX. De la muchacha dorada

X. Del amor imprevisto

I. Posludio


Maria Mendes, voz

Nuno Côrte-Real, direção musical e sintetizador

ENSEMBLE DARCOS

Organização: Câmara Municipal de Torres Vedras, Teatro-Cine de Torres Vedras e Darcos -  Associação Cultural 


Preço: Bilhetes à venda nos locais habituais

Publicado: 28.08.2026 - 16:09 horas
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