Agenda
Ensemble Darcos
Temporada Darcos 2026
15 de março de 2026 | domingo
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17h00
Local: Quinta da Almiara, Ventosa, Torres Vedras
Esta atividade integra o(s) programa Temporada Darcos 2026 - 19.ª edição
A propósito de uma longa digressão de concertos pelos Estados Unidos da América (1930), a Fundação Elizabeth Sprague Coolidge da Biblioteca do Congresso de Washington, D.C., encomendou a Sergei Prokofiev (1891- 1953) uma obra de câmara, dando origem ao Quarteto de cordas n.º1, em si menor, op.50, estreado a 25 de Abril de 1931, pelo Quarteto Brosa. De textura musical intrincada e, pouco convencional quanto à forma, culminando num andamento final lento, é revelador da voz única de Prokofiev e a sua atenção meticulosa aos detalhes.
O 1º andamento, Allegro, inicia-se com uma melodia peculiar e cheia de surpresas, impulsionada por um vigoroso acompanhamento, rapidamente desenvolvido numa complexa teia contrapontística. O 2º andamento é assombrosamente introspetivo até se transformar num scherzo vertiginoso, mordaz e espirituoso, numa explosão de cor e texturas musicais. O andamento final, Andante, mergulha numa paisagem solene e lírica, cheia de nostalgia, em tensão crescente, até dissipar-se, silenciosamente. Escrito em 1876, por Bedřich Smetana (1824-1884), figura proeminente do movimento nacionalista checo, o Quarteto de Cordas nº 1, em mi menor, op.116, intitulado Z mého zivota [Da Minha Vida], é uma obra altamente pessoal e autobiográfica, em jeito de catarse pelo facto de ter ensurdecido em 1874, aos 50 anos. De acordo com as palavras do compositor, retrata um “pequeno círculo de amigos” a “discutir entre si o que tão obviamente me aflige”, como se fosse o “retrato sonoro da minha vida” o 1º andamento, Allegro vivo appassionato, evoca a “inclinação para a arte na minha juventude, com o romantismo a predominar, o anseio indizível por algo que não conseguia expressar ou imaginar com certeza, e também uma espécie de aviso do meu futuro desastre”.
No 2º andamento, Allegro moderato à la Polca, o compositor recorda a “vida feliz da minha juventude, quando, como compositor de música para dança, frequentava o mundo da moda, onde era conhecido como um bailarino apaixonado”. O ardente e lírico 3º andamento, Largo sostenuto, é uma ode a Kateřina Otilie Kolářová (1827-1859), a “rapariga que mais tarde se tornou minha fiel esposa”, assumindo-se como o clímax emocional do quarteto. O último andamento, Vivace, apresenta a “perceção da beleza da música nacional e a felicidade daí resultante, interrompida pela minha sinistra catástrofe”, a nota aguda no 1º violino, representando a surdez de Smetana.
S. Prokofiev (1891 – 1953)
Quarteto de cordas Nº1 em Si menor, Op. 50
I. Allegro
II. Andante molto
III. Andante
B. Smetana (1824 – 1884)
Quarteto de cordas Nº1 “Da minha vida”
I. Allegro vivo appassionato
II. Allegro moderato à la Polka
III. Largo sostenuto
IV. Vivace E
ENSEMBLE DARCOS
Informações: info.darcos@gmail.com
Organização: Câmara Municipal de Torres Vedras, Teatro-Cine de Torres Vedras e Darcos - Associação Cultural
Atividade Gratuita



