Agenda
Fórum de debate coletivo: Mitologias de Declínio e Renovação
1ª Sessão | Produção Artística, Imagem e Representação
Até 6 de março 2023
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18h00 às 19h00
Evento já ocorrido
Local: Paços - Galeria Municipal de Torres Vedras
Sob o título Mitologias de Declínio e Renovação, João Mateus, curador do projeto, propõe um conjunto de debates com o objetivo de discutir problemáticas do nosso tempo. O respeito pelo espaço que o humano ocupa, a utilização que faz dos recursos ou a forma como comunica entre si, são temas que atravessam a existência e que se pretende abordar com o contributo de artistas e investigadores, convidando toda a comunidade para o diálogo. Colocam-se à discussão questões como: que impactos têm a forma como comunicamos e transmitimos conhecimento? Que mitologias dominam a nossa realidade? Que mitologias precisamos para sobreviver? porque insistimos nas ideias de crescimento e expansão constantes?
1º Sessão - Produção Artística, Imagem e Representação
“Existe um certo alívio em reconhecer que estes são tempos de excesso e de deterioração. Tempos da mais prepotente arrogância, da quebra de laços sagrados, de contínua profanação e do mais obstinado desrespeito perante todos aqueles que apenas merecem descanso. Tempos de falsos testemunhos, de infindável sofrimento, da mais colossal devastação. Tempos de declínio. Mas declínio não se refere aqui à linguagem económica de uma «trajetória descendente» ou de «estagnação» – refere-se sim a uma alteração de direção. Declínio enquanto reconsideração de um modo de existência que se considerava perpétuo. Enquanto redução de uma voracidade.
Neste contexto, uma possível renovação surge apenas como consequência de uma diminuição de uma insaciabilidade inesgotável. E será um erro entender renovação como uma reinstituição de antigos valores. Fará mais sentido pensá-la como estimulação metabólica que implica aqui a perda de alguns elementos e a reativação de outros. Qualquer aquisição e libertação de energia só é possível através de vários movimentos cíclicos que evoluem e se renforçam mutuamente, a partir dos quais se estabelece um vínculo que desencadeia uma contínua evolução ou degeneração.
Torna-se necessário abdicar intencionalmente do que limita e corrói. E torna-se necessário refletir crítica e cuidadosamente sobre as imagens, histórias e mitologias que cada tempo conjura. Porque como outros pensadores já identificaram de forma astuta, importa considerar que histórias usamos para contar outras histórias, que descrições usamos para descrever, e que mitologias usamos para construir mundos. É sobre esta nova realidade que exige outras imagens, outras narrativas e outras práticas comunicativas que nos propomos debruçar.” João Mateus, 2023
Curador: João Mateus
Convidados da 1ª Sessão: Tânia Geiroto Marcelino, Rita Senra e Raquel Sousa
João Mateus.
João Mateus. (1995, Castelo Branco). Investigador independente. Licenciado em Desenho e Mestre em Práticas Artísticas Contemporâneas. Desenvolve trabalho no campo da imagem, teoria visual e epistemologia. Tem artigos publicados no CITAR Journal ,CITCEM, e Interact . Participou, enquanto orador convidado, no V Colóquio Narrativa, Média e Cognição (2018), IJUP (2019), Groove the City (2020), Workshop Archives in Lusophone Film (2020) e xCoAx 2022 (2022). Redigiu uma coluna mensal de análise e comentário político-cultural no Jornal Badaladas de 2019 a 2021. Concebeu e coordenou o Ciclo de conversas, debates e investigações O Fim da Verdade Objetiva no Atelier-Museu Júlio Pomar em 2021. Coordenou a publicação homónima resultante do projeto, editada pelo Atelier-Museu Júlio Pomar.
Raquel S.
Raquel S. (1986, Monção). Estudou Filosofia e Estudos Literários, Culturais e Interartes. Trabalha a partir do Porto como dramaturga – escrevendo e dirigindo peças de sua autoria – e dramaturgista - acompanhando espetáculos de teatro e dança de várias companhias e adaptando textos de outros autores. Fundadora e diretora da estrutura Noitarder que procura cruzar teatro, literatura e filosofia. A partir desta, estreou Longe (2018), amor.demónio (2021) e Ruído (2021). Foi uma das dramaturgas selecionadas na École des Maîtres 2020 no âmbito da qual escreveu o texto Carne (2021). Autora de livro-poema Fogo Lento e diversos outros ensaios.
Rita Senra.
Rita Senra. (1993, Barcelos). Artista visual a viver e trabalho no Porto. Licenciada em Artes Visuais pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Desenvolve o seu trabalho artístico nas áreas do desenho e da instalação. É membro do Sismógrafo, espaço cultural no Porto, desde 2016. Apresenta trabalho desde 2013, do qual se destacam as exposições individuais Corpo, imagem e sua perceção (2013) na Galeria Cozinha da Faculdade de Belas-Artes do Porto, Justamente Expostos (2014) no Projeto Expedição e Legalenga (2019) no Sismógrafo. Conta com várias publicações e integrou em 2016 a residência Papéis Cruzados nas Oficinas do Convento em Montemor-o-Novo, e em 2019 a residência cruzada Porto/Clermont-Ferrand.
Tânia Geiroto Marcelino.
Tânia Geiroto Marcelino. (1989, Lisboa). Artista visual independente, curadora e produtora cultural a viver e trabalhar em Lisboa. Licenciada em Pintura (FBAUL) e Mestre em Práticas Artísticas Contemporâneas (FBAUP). Expõe o seu trabalho regularmente desde 2012, em exposições individuais e coletivas, residências artísticas e outros projetos. Expôs individualmente no Maus Hábitos/Saco Azul (Porto, 2017), Rua das Gaivotas 6 (Lisboa, 2020) e Duplex AIR (Lisboa, 2022). Colaborou também com projetos como Carpe Diem Arte e Pesquisa (Lisboa, 2013-14), Galeria Foco (Lisboa, 2019), Rua das Gaivotas 6 (Lisboa, 2021-22) e SLUICE (Londres-Barreiro, 2022). Atualmente encontra-se a produzir Hors Lits Lisboa - 3ª ed. (Lisboa, 2023) e Cosmic Phase/Stage de Ana Libório, Bruno José Silva e João Estevens (2022-23). É Curadora em Residência nos Estúdios PADA (Barreiro, 2023).
Atividade Gratuita



