Torres Vedras

Património histórico

Conteúdos desta página

  1. Castro do Zambujal
  2. Edifício Paços do Concelho
  3. Centro Histórico
  4. Castelo
  5. Aqueduto de Torres Vedras
  6. Azenha de Santa Cruz
  7. Chafariz dos Canos
  8. Linhas de Torres Vedras

Acessibilidade em Espaços Culturais e Artísticos

A ANACED (Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência) criou um Directório sobre Acessibilidade em Espaços Culturais e Artísticos do Distrito de Lisboa.

Este documento, que visa uma maior participação de pessoas com necessidades especiais nas atividades culturais promovidas pelos diversos espaços culturais contou com o Município de Torres Vedras como parceiro.


Castro do Zambujal

O Castro do Zambujal constitui um dos mais complexos povoados fortificados pré-históricos existentes na Península Ibérica. Localiza-se a cerca de 3 quilómetros a sudoeste da cidade de Torres Vedras e foi descoberto por Leonel Trindade, em 1938. 
O casal agrícola, cuja existência remonta ao século XVI, destruiu parte das muralhas, tendo as pedras servido para a sua construção. As escavações realizadas nos últimos anos, pelo Instituto Arqueológico Alemão, possibilitaram reconstituir parte da fortificação e diferenciar as múltiplas fases de construção.

O povoado Calcolítico atesta as profundas transformações socioeconómicas  ocorridas durante este período. De início, o povoado seria protegido apenas por uma fortaleza central com torres maciças e muros relativamente estreitos. Numa segunda fase da ocupação, as estruturas foram reforçadas, erguendo-se mais duas imponentes linhas de muralhas e uma barbacã adossada à fortaleza inicial. Na terceira fase de construção, a barbacã e as entradas da segunda linha de muralhas foram mitigadas, verificando-se uma tendência para autonomizar a logística defensiva de cada uma das muralhas. Na quarta e última fase de construção, foram erigidas as torres ocas. O povoado terá sido abandonado cerca de 1700 anos a. C..
Os habitantes do Castro do Zambujal dedicavam-se a atividades relacionadas com prospeção, mineração e metalurgia do cobre, mantendo relações comerciais, tanto no território peninsular, como fora dele, entre os finais e meados do III milénio a C.. Além destes materiais, foram encontrados exemplares tipificadores das atividades quotidianas, sobretudo cerâmicas decoradas, aqui fortemente representadas, pertencentes ao grupo campaniforme.


Edifício Paços do Concelho

Desconhece-se a data de construção do primitivo edifício dos Paços do Concelho. É referido pela primeira vez em 1337, tendo sido restaurado em 1597 e 1634. Em 1744, sofreu grandes danos, quando um preso ao procurar evadir-se da prisão, instalada no piso inferior, lançou fogo ao edifício. O incêndio destruiu a quase totalidade da documentação medieval e moderna do concelho.
A configuração moderna do edifício terá resultado das obras de restauro concluídas em 1776, data que marca igualmente a construção do chafariz localizado na praça.
Sede dos serviços administrativos do concelho, foi também utilizado durante a ocupação militar da cidade de Torres Vedras no período da Guerra Peninsular, tendo servido como sede do comissariado de guerra.
O chafariz, de estilo Pombalino, exemplar único em Torres Vedras, possui a seguinte inscrição:

JOSEPH. I.P.P. IMP. AD CARCER PO PVL. Q. COMMOD. FONT. HUNC. PVBL. EXP. PRÆSES PROV. ERIG. CVRAVIT AN. MDCCLXXVI
(O Corregedor da Comarca faz erigir esta fonte, a expensas públicas, no ano de 1776, para comodidade da cadeia e do povo, reinando D. José I, Pai da Pátria)

Outrora, a água era trazida por um ramal do aqueduto do Chafariz dos Canos, correndo da bica saliente da boca do golfinho para um pequeno tanque de mármore.
Em 2001, as escavações arqueológicas realizadas no interior do edifício revelaram nove silos muçulmanos, primeiros vestígios materiais da ocupação árabe na região, contendo inúmeros recipientes de cerâmica islâmicos, datáveis do período do Califado de Córdoba (séculos X e XI), conjuntamente com peças dos primeiros anos da ocupação cristã e moedas do século XII ao XV.


Centro Histórico

Situado na zona antiga da cidade, o Centro Histórico de Torres Vedras remonta a épocas anteriores à nacionalidade. Da sua constituição fazem parte os bairros da antiga cerca medieval da vila, hoje inexistente. No seu cume, habita o Castelo, onde ainda hoje se pode observar a existência de argamassas romanas nalgumas cisternas.

Construídos e reconstruídos ao longo dos tempos, neste perímetro conseguimos distinguir edifícios de notável simplicidade, com destaque para o período pombalino. De salientar, nas suas praças e adro, construções de caráter grandioso como os Paços do Concelho, o Chafariz dos Canos, a Igreja de S. Pedro, a Igreja de Santiago ou a Capela da Misericórdia. Dentro do Castelo pode admirar-se a mais antiga matriz de Torres Vedras, a Igreja de Santa Maria. 


Castelo

O Castelo é de construção primitiva, comprovada pela existência de duas cisternas romanas, e as suas primeiras muralhas terão sido construídas pelos árabes.
Quando se dá a reconquista cristã e a consequente tomada do castelo, em 1148, as muralhas terão ficado destruídas, tendo sido de imediato reconstruídas para impedir a entrada dos árabes durante o cerco de 1184. Também a Igreja de Santa Maria, situada dentro da cintura de muralha, é do início da Nacionalidade.
O Castelo sofre sucessivas intervenções na época medieval e moderna, sobretudo nos reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. Manuel. O que resta da última intervenção é o brasão de D. Manuel I, ladeado pelas esferas armilares Manuelinas, com a Cruz de Cristo.
Com o terramoto de 1755, tanto as muralhas como o Paço dos Alcaides, ficaram muito destruídos.

O Castelo voltaria a ter um importante papel em 1809, ao ser integrado nas Linhas de Torres Vedras, como reduto nº 27. Nessa altura foi de novo reparado e guarnecido com 11 peças de artilharia. Nesta adaptação foi demolida a porta do Castelo.
O último cerco ao Castelo deu-se em finais de 1846, tendo servido de quartel às tropas do conde de Bonfim. A fortaleza foi bombardeada pelo Duque de Saldanha, tendo-se dado a explosão do paiol, que provocou a ruína quase total do Paço.
Apesar do seu estado de ruína, o castelo continuou a funcionar como aquartelamento de tropas regulares até finais do século XIX, tendo sido alvo de várias reparações.
Em 1929, o Ministério da Guerra afeta o imóvel à Câmara Municipal, que fica encarregue da conservação e limpeza.

É monumento classificado pelo Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957.

Horário

  • Setembro a maio: terça a domingo, das 10h00 às 18h00
  • Junho a agosto: terça a domingo, das 10h00 às 19h00
  • Encerramento a dias feriados: 1 de janeiro, domingo e terça-feira de carnaval; domingo de páscoa, 1 de maio, 24 e 25 de dezembro


Aqueduto de Torres Vedras

Situada no perímetro urbano de Torres Vedras, esta obra utilitária de arquitetura gótica estende-se por mais de dois quilómetros e foi edificada para abastecer o Chafariz dos Canos, situado no Centro Histórico da Cidade. Desconhece-se a data da construção primitiva, mas a atual estrutura dos canos foi remodelada e ampliada na segunda metade do século XVI, quando D. Sebastião concedeu licença à edilidade local para que a sua estrutura fosse prolongada. Esta remodelação coincidiu com o restauro da Fonte dos Canos, em 1561 (pergaminho pertencente à Igreja de S. Pedro), por ordem da Infanta D. Maria.
Iniciando-se à saída de Torres Vedras e atravessando o rio Sizandro, o Aqueduto apresenta uma estrutura de grandes dimensões cujos canais, quando passam à superfície, se dispõem em dois registos de arcos de volta perfeita sobrepostos. A arcada superior apresenta menores dimensões, dispondo-se simetricamente sobre os arcos inferiores.
Nos locais em que o Aqueduto passa sobre o rio Sizandro e sobre a estrada que liga Torres Vedras a Runa apresenta apenas um arco monumental, tendo este último sido alargado em 1787, data em que colocaram, numa das suas faces, o brasão de Torres Vedras.

Sofreu várias obras de reconstrução e restauro, nomeadamente no século XVIII e, mais recentemente, em 1990.

Do brasão com as armas da Vila apenas resta um pedaço da parte superior do ornato.

Está classificado pelo Decreto de 16-06-1910; Diário do Governo n.º 136, de 23-06-1910.


Azenha de Santa Cruz

Edificada nos finais do século XV, e classificada como edifício de interesse público em 1997 pelo IPPAR, a Azenha de Santa Cruz é hoje um Centro Interpretativo ligado à temática da moagem do cereal e do fabrico do pão. Como espaço cultural que promove as tradições e a divulgação da memória e da cultura populares, este núcleo reúne, para além de um espólio alusivo ao tema, um conjunto de painéis expositivos e a projeção de filmes e de fotografias de tempos de outrora. Ponto de paragem obrigatório, este espaço serve ainda de espaço de acolhimento ao visitante, funcionando simultaneamente como Posto de Turismo.

Contactos

Rua da Azenha, Santa Cruz
2560-474 Silveira
Telefone n.º : 261 937 524
E-mail: postoturismosantacruz@cm-tvedras.pt

Horário de funcionamento

  • Horário de inverno: terça a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
  • Horário de verão (julho a agosto): segunda a domingo, das 10h00 às 22h00

Chafariz dos Canos

Situado no perímetro urbano de Torres Vedras, a existência do chafariz é referida no século XIV. Era alimentado pelo aqueduto e situa-se próximo de uma das portas da vila medieval (Porta da Corredoura).

O chafariz é um pavilhão coberto com abóbada de cruzaria com nervuras que assentam sobre mísulas cónicas.

Das faces do pavilhão rasgam-se cinco arcos ogivais e destaca-se o interessante conjunto de gárgulas góticas que o decoram e o conjunto de quatro escudos dispostos nas faces das colunas: “os da frente ostentando o brasão real que remonta ao século XIII, sendo com toda a probabilidade do reinado de D. Afonso III, e os dois laterais da mesma época, representando em três castelos de linhas severas, sóbrias de atavios, o velho brasão da antiga Turribus Veteribus.”

A rematar o conjunto, coruchéus e ameiaschanfradas (Merlões) do século XVI.
O espaço interior é composto por um tanque com duas bicas barrocas (com motivos vegetalistas).

Outrora, em todo o comprimento da frente e num plano inferior, existia um espaçoso tanque feito para aproveitar as águas, que servia para abastecimento de quem partia e chegava, bem como para uso dos animais.

Está classificado pelo Decreto de 16-06-1910; Diário do Governo n.º 136, de 23-06-1910.


Linhas de Torres Vedras

Para defender o País da terceira invasão Napoleónica (1810), a estratégia de Wellington consistiu na construção de um campo entrincheirado, entre o Tejo e o Atlântico, que defendesse, por terra, a península de Lisboa, aproveitando as características acidentadas do território. As praças da fronteira terrestre teriam uma função retardadora, de modo a proporcionar mais tempo para a organização dos trabalhos de defesa de Lisboa. O grande objetivo era manter a capital liberta das tropas franceses – não só pelo valor estratégico do seu porto mas, também, por razões de segurança pois, em caso de insucesso militar, far-se-ia o embarque do corpo de tropas inglês, em São Julião da Barra.

Em 20 de outubro de 1809, Wellington redigiu o famoso memorando com as instruções que deveriam ser seguidas pelo comandante de engenharia do exército inglês – o tenente-coronel Fletcher – na construção das obras de defesa. Foi, assim, concebido um sistema militar apoiado em quatro linhas de defesa, duas principais e duas complementares.
Os trabalhos de construção iniciaram-se no outono de 1809 e, num período inferior a um ano, construíram-se 126 fortificações, estradas militares e outras barreiras naturais.

A Cidade de Torres Vedras situa-se no ponto mais avançado da 1ª Linha, localizada a cerca de 13 quilómetros a Norte da 2.ª Linha. A 1ª Linha tinha uma extensão de 46 quilómetros, ligando Alhandra à foz do rio Sizandro. Como reforço das posições elevadas, foram preparados dispositivos para inundar os terrenos junto ao Tejo e no vale do Sizandro, de modo a dificultar o seu atravessamento, bem como a progressão por estrada.

O aperfeiçoamento das Linhas de Defesa de Lisboa continuou até 1812, pois esperava-se nova investida de Napoleão, o que não veio a acontecer. Foram construídas 152 obras militares, entre redutos e baterias, 37 das quais em Torres Vedras, apetrechadas com 523 bocas-de-fogo. O Forte de S. Vicente, conjuntamente com o Reduto de Olheiros, que lhe defende o flanco poente, constitui um dos principais pontos defensivos das Linhas de Torres Vedras.

Documentos

Forte e Capela de São Vicente

Situado a Norte de Torres Vedras, o Forte de São Vicente integra o conjunto fortificado das Linhas de Torres Vedras, o anel de defesa de Lisboa face às invasões francesas.

No início do século XIX Napoleão Bonaparte entrou em conflito com Inglaterra e invadiu diversos países europeus, tentando impor um bloqueio continental, com o qual pretendia isolar e paralisar o inimigo. Portugal, que sempre foi aliado de Inglaterra, desafiou o bloqueio. Em consequência, as tropas francesas invadiram Portugal e a família real partiu para o Brasil, sob orientação do inglês Arthur Wellesley, que ficou provisoriamente a governar o país.

Inspirado nos trabalhos de José Maria das Neves, Arthur Wellesley enviou, a 20 de outubro de 1809, um Memorando a Richard Fletcher, mandando construir secretamente um conjunto de fortificações constituído por três linhas com um total de 152 redutos e 600 peças de artilharia e um sistema de comunicações com postos de sinais.

É na primeira linha que se integra o Forte de São Vicente que compreende um conjunto de três redutos (20,21 e 22), envolvidos por um muro com cerca de 1500 metros de extensão. Era um dos pontos mais fortificados das "Linhas de Torres Vedras", continha 39 bocas-de-fogo e capacidade para 2200 homens e, juntamente com o Castelo, que continha 11 bocas-de-fogo, constituíam os dois redutos da vila.

É monumento classificado pelo Decreto n.º 47 508; DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 ZEP e Portaria n.º 715/77, DR, I Série, n.º 268, de 19-11-1977 - Zona Especial de Proteção (ZEP) conjunta da Capela e Forte de São Vicente e da Ermida de Nossa Senhora do Ameal.

Forte de Olheiros

O Forte de Olheiros (também conhecido como Forte do Canudo) é fronteiro ao vasto complexo fortificado de São Vicente, considerado o mais importante forte das Linhas de Torres Vedras. Era a fortificação nº 23 e o ponto mais a norte da primeira Linha de defesa, entre Alhandra e a Foz do Sizandro. A planta é poligonal irregular, com 45 metros de comprimento por 19 metros de largura máxima, muito semelhante (apesar da menor dimensão) à do Reduto nº 14, ou Forte Grande do Sobral.

Apresenta um fosso bem marcado e profundo, com revestimento de pedra, sobre o qual existe um passadiço dando acesso ao interior do forte. A fortificação é circundada por muralha num perímetro de 1.500 metros, com escarpa em alvenaria de pedra bem conservada, de 2 metros de altura, e barreira de proteção na entrada. Contabilizam-se onze canhoneiras nas cortinas, com plataformas para peças de artilharia pavimentadas por lajetas com pendente, de forma a contrabalançar a reação do tiro; serviriam sete canhões ou peças de artilharia, cinco de calibre nove e cinco de calibre seis. Existe ainda um paiol, coberto por laje de betão armado aplicada em data desconhecida. O forte, tal como as restantes fortificações das Linhas, foi desarmado e abandonado em 1818, três anos após a Convenção de Viena.

No recinto encontram-se também duas cisternas, construídas recentemente pela Câmara Municipal de Torres Vedras, que abastecem as imediações.

Está classificado pela Portaria n.º 1156/2009; DR, 2.ª Série, n.º 212, de 2-11-2009.