Torres Vedras

História

Museu Municipal Leonel Trindade

O Museu foi inaugurado a 28 de julho de 1929, na pequena sala da Irmandade dos Clérigos Pobres, anexa à Igreja de S. Pedro, no centro da então Vila de Torres Vedras. Teve por base a reunião de um conjunto heterogéneo de peças, representativas da importância histórica e artística de Torres Vedras, com recurso a depósitos temporários feitos pelas paróquias da cidade e por alguns particulares.

Em 1944 foi transferido para o edifício da antiga sede da Santa Casa da Misericórdia, aumentando consideravelmente a área de exposição. Ao longo dos anos foi aumentando e diversificando o seu espólio, merecendo destaque a coleção de arqueologia, resultado do desenvolvimento da investigação arqueológica local, que contribuiu para a projeção do Museu a nível nacional e internacional.

Desde 1992 está instalado no Convento de Nossa Senhora da Graça.

 

Convento de Nossa Senhora da Graça

Fundados no século XVI, por Eremitas de Santo Agostinho, o Convento e a Igreja da Graça, ainda mantêm o seu antigo esplendor. A Igreja é notável pela talha e imagens barrocas, particularmente da primeira metade do século XVII e pela rica azulejaria dos séculos XVII e XVIII.

A Sala da Portaria tem painéis do século XVIII, sobre passos da vida de S. Gonçalo de Lagos, que foi prior do primeiro Convento dos Agostinhos na Vila de Torres Vedras.

Também na sala da Sacristia podemos apreciar belos painéis de azulejos sobre a vida de outros freis da Ordem Agostiniana. No Altar-mor, à direita, existe um pequeno nicho na parede com o túmulo de S. Gonçalo de Lagos (1422) e uma curiosa arca com a figura do Santo na tampa.

No corpo da igreja distribuem-se quatro capelas de cada lado, com boa talha dourada, imagens e inscrições tumulares com belas peças heráldicas.

O claustro com abóbadas de aresta e largos silhares de azulejos (de autoria desconhecida - PMP), datados de 1725, ilustram a vida de D. Frei Aleixo de Meneses, que foi Arcebispo de Goa (1595-1612), Governador da Índia (1607-1609), Arcebispo de Braga (1612-1617) e Governador de Portugal (1612-1615). Todo o rés-do-chão do Convento de Nossa Senhora da Graça alberga, desde 1992, o Museu Municipal Leonel Trindade.

 

Diretores do Museu Municipal

Augusto Maria Lopes da Cunha
Em 19 de março de 1946 assumiu o cargo de diretor da Biblioteca e depois do Museu Municipal, cargo que ocupou durante 21 anos.

É autor da obra "Memórias das Festas da inauguração do Obelisco Comemorativo da Guerra Peninsular, Catálogo da Exposição histórico-biblio-iconográfica ".

Em 1963 o Município de Torres Vedras atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Municipal - grau “ouro", pelos bons serviços prestados ao Concelho.

Aurélio Ricardo Belo (1877 - 1961)
Este médico e arqueólogo foi convidado, a 15 de janeiro de 1932, pelo Presidente da Câmara Municipal, Tenente António Vitorino França Borges, para dirigir o Museu Municipal. Aceitou o cargo a 4 de março do mesmo ano e propôs à edilidade que Leonel Trindade fosse seu adjunto.

 

Rafael Salinas Calado (1893 - 1962)
Em 21 de junho de 1929 foi convidado a assumir as funções de Diretor do Museu Municipal, instalando e dirigindo o Museu, cargo que aceitou a 16 de julho do mesmo ano e que ocupou até 1932.

A 5 de maio de 1937 pede a exoneração do Cargo de Diretor da Biblioteca, uma vez que este equipamento foi instalado numa das salas da Escola Secundária Municipal e inaugurado em 1934, com a coleção de Júlio Vieira e sob a direção do Bibliotecário-Arquivista De Sousa Aguiar.

Em 1937, o Dr. Salinas Calado foi nomeado Chefe da Secretaria da 3ª vara Civil do Tribunal da Boa Hora, em Lisboa. Em 17 de Julho de 1937 é proclamado cidadão Honorário de Torres Vedras.

 

Leonel Freitas Sampaio Trindade (1903 - 1992)
Colaborou com o Museu Municipal desde a sua fundação, em 1929, tendo tomado posse como Diretor adjunto em 1934, e como Diretor em 1969, cargo que manteve até ao fim da sua vida.

Ao longo de cinquenta anos realizou explorações arqueológicas, de forma sistemática, no Concelho de Torres Vedras, tendo descoberto cerca de 80 jazidas, das quais se destaca o Castro do Zambujal.

Em 1987, na abertura das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras, é homenageado pela Câmara Municipal, sendo-lhe entregue a Medalha de Mérito Municipal – grau “ouro”.

Em 1997 a Câmara Municipal de Torres Vedras deliberou atribuir o seu nome ao Museu.


Exposições Realizadas

Guerra Peninsular 1807-1814

Inauguração em outubro de 2009

O século XIX é marcado por uma rutura com o Antigo Regime e uma mudança profunda no paradigma político-social, fruto da Revolução Americana e Francesa. É na sequência da Revolução Francesa, que se destaca Napoleão Bonaparte, como militar da revolução, o grande protagonista da propagação dos novos ideais através do expansionismo territorial, que marcará esse século.

Perante a ameaça das velhas Coroas Europeias, estas agrupadas em coligações, declararam guerra à França. É neste contexto que surgem as Invasões Napoleónicas, que decorrem em toda a Europa, e se debatem com a oposição da Grã-Bretanha, sua potência rival, em franco desenvolvimento económico e industrial. Numa conjuntura de disputa de poder entre essas duas nações, emerge a Guerra Peninsular, que obriga outros dois países a desempenhar um papel fulcral no conflito: Portugal e Espanha.

Após a tentativa falhada de aniquilar a Grã-Bretanha por via marítima, com a derrota naval de Trafalgar, Napoleão continua a ambicionar apoderar-se da Europa e isolar economicamente a potente rival. Para isso, decreta, em 1806, o Bloqueio Continental e Portugal torna-se um espaço estratégico militar altamente cobiçado (quer pelos Ingleses, quer pelos Franceses) devido à sua localização ao ocidente da Velha Europa.

O Príncipe Regente D.João encontrava-se perante uma situação diplomática muito difícil. Se tomasse partido da aliada Inglaterra, o território português seria invadido por França; se tomasse partido de França, as suas colónias seriam ocupadas por Inglaterra. Foi necessário que a Espanha se aliasse à França Imperial, através do Tratado de Fontainebleau, para permitir a passagem das tropas napoleónicas pelo território espanhol com o objetivo de invadir Portugal. Tinha ainda como intento secreto a divisão da nação Lusitana entre os signatários.

Com a declaração de guerra, a Família Real parte em exílio para o Brasil e nomeia o Concelho de Regência para governar durante a sua ausência, não comprometendo a independência nacional. Pela primeira vez seria instaurada numa colónia a capital de um Império. Durante esse período, o território nacional foi alvo de violência, saque e destruição com a primeira e segunda invasão.
Temendo-se uma nova incursão francesa, dá-se início à construção das Linhas de Torres Vedras. Ergue-se o espírito de sacrifício, resistência e patriotismo.

O sistema defensivo irá desencadear o fim das invasões francesas em território português. Segue-se uma série de batalhas em território espanhol (Fuentes de Oñoro, 1811; Albuera, 1811; Cerco de Badajoz, 1812; Cerco de Salamanca, 1812; Batalha da Vitória, 1813; Batalha dos Pirinéus, 1813) e em território francês a Batalha de Toulouse, 1814, que iria pôr fim à Guerra Peninsular.

Entretanto a Campanha da Rússia será uma pesada derrota para Napoleão. Estavam reunidas as condições que marcavam o destino final de Napoleão. Segue-se o exílio em Elba, interrompido pela sua fugaz conquista de poder, o Governo dos 100 dias, e o exílio definitivo em Santa Helena.

 

Tabela Cronológica

1789 - Revolução Francesa
1799 - Golpe de 18 de Brumário [9 de Novembro]
1801 - Guerra das Laranjas
1804 - Napoleão coroa-se imperador de França
1805 - Batalha de Trafalgar
1806 - Bloqueio Continental
1807 - Família Real parte em exílio para o Brasil
1807 - 1808 Primeira Invasão Francesa
1808 - Revoltas de 2 de Maio em Madrid
1809 - Segunda Invasão Francesa
1809 - Início da construção das Linhas defensivas de Torres Vedras
1810-1811 - Terceira Invasão Francesa
1812 - Campanha da Rússia
1814 - Batalha de Toulouse
1814 - Napoleão abdica. Exílio e Elba
1815 - Governo dos 100 dias
1815 - Batalha de Waterloo
1815 - Exílio em Santa Helena
1821 - Morte de Napoleão

 

Núcleo 1 - Não Passarão
A importância das Linhas de Torres Vedras na defesa de Lisboa
Sala da exposição permanente | Piso 0
Ainda patente

O grande objetivo em Portugal é o domínio de Lisboa e do Tejo e todas as medidas devem ser dirigidas para este objetivo. Existe um outro, também relacionado com aquele primeiro objetivo, para o qual deveremos, igualmente, prestar atenção, a saber: o embarque das tropas britânicas, em caso de revés." - Arthur Wellington, Memorando para o Tenente Coronel Fetcher, 20 de outubro de 1809.

A presente exposição, de caráter permanente, pretende proporcionar um novo olhar sobre as Linhas de Torres Vedras, privilegiando a abordagem estratégica subjacente ao sistema defensivo, desde o conceito, técnica, construção e eficácia para o impedimento do avanço do exército francês em direção à capital.

Destacam-se aspetos habitualmente menos tratados, mas relevantes para a perceção da importância das Linhas de Torres em toda a sua complexidade. Aborda-se o papel do comissariado exército na mobilização dos recursos, subjacente à construção das Linhas, assim como os impactos sofridos pelas populações da região. Dá-se relevo aos sistemas óticos utilizados como meios privilegiados de transmissão de mensagens nas Linhas. Incide-se na reorganização do exército português no período da Guerra Peninsular, dedicando especial atenção ao quotidiano da vida militar.

 

Núcleo 2 - Invasões Francesas
Memórias e Relatos
Sala da exposição temporária | Piso 0
Novembro de 2009 a Novembro de 2010

A exposição temporária pretendia demonstrar o impacto da ocupação do território na vida das populações, ao mesmo tempo que apresenta um percurso cronológico pelas invasões francesas.

Incidia, igualmente, na recuperação de memórias e relatos, por meio de registos áudio, extraídos de livros e correspondência da época, disponíveis em pontos de escuta. Apresentava  também biografias de personagens, protagonistas da História, e locais da região, testemunhos daquele tempo, pelo uso e apropriação a que foram sujeitos.

Como complemento foram exibidos excertos do documentário : “Chegaram os Franceses!” (RTP, 2007).

 

Núcleo 3 - De Ciudad Rodrigo a Torres Vedras
Uma viagem pelas gravuras de época
Sala de exposição temporária | Piso 1
Novembro de 2009 a Novembro de 2010

A exposição, constituída essencialmente por mapas e gravuras alusivas a batalhas da Guerra Peninsular, mostrou uma seleção de peças da coleção particular de José Ramón Cid Cebrián, natural da Ciudad Rodrigo.

Quis o caminho da História que, durante a terceira invasão francesa, os destinos de Ciudad Rodrigo e Almeida se cruzassem com Torres Vedras. A resistência nessas praças-fortes foi fundamental para ganhar tempo e permitir progredir nos trabalhos nas Linhas de Torres Vedras, vitais para a defesa de Lisboa e decisivas para o insucesso francês.


 

Oito Séculos de História

Inauguração em novembro de 2011

 

Núcleo 1 - A Ordem de Santo Agostinho em Torres Vedras

O Núcleo 1 é reservado à Ordem Agostiniana e seus seguidores. Iniciava-se com a vida de Santo Agostinho e seus princípios espirituais, seguindo por uma breve história dos agostinianos em Portugal e em Torres Vedras, e pelo quotidiano destes frades e suas funções na comunidade torriense.

Oferendas ao Convento

A veste agostiniana
Réplica de Hábito Agostiniano à escala natural

Píxide – Século XVIII
Madeira dourada
Cedido pela Paróquia de São Pedro e Santiago

Pelicário – Século XVIII
Prata
Cedido pela Paróquia de São Pedro e Santiago

“Antiphonorium Romanum” - Livro de Antífones
Editado em 1729
Cedido pela Paróquia de São Pedro e Santiago

Cásula – Século XVIII
Damasco de seda vermelho e veludo
Cedido pela Paróquia de São Pedro e Santiago

Caixa dos Santos Óleos – Século XVIII
Pau-santo e prata
Cedido pela Paróquia de São Pedro e Santiago

Cantos Gregorianos

Banco de Altar - Século XVII
Banco de madeira com assento de couro e pregaria
Cedido pela Paróquia de São Pedro e Santiago

 

Núcleo 2 - A História do Convento - da Idade Média ao Século XXI

Narrava os episódios históricos do Convento da Graça: a edificação de um primeiro edifício na Várzea Antiga durante a Idade Média, a construção do atual Convento no século XVI, a conjetura sócio - histórica envolvente das épocas que antecederam a extinção das ordens religiosas e, consequentemente, o fim do Convento da Graça enquanto instituição religiosa, e as sucessivas funções que assumiu desde o final do século XIX até aos nossos dias.

Projeto de arquitetura de 1988
Adaptação do Convento – a G.A.T (Gabinete Técnico) – e Museu Municipal.
Aquivo G.A.T, processo nº 1889

 

Núcleo 3 - A arquitetura do Convento da Graça e sua componente artística

O Núcleo 3 focava a arquitetura do conjunto conventual e seu conteúdo artístico. Mostrava as características do edifício e seus espaços: convento, igreja e claustro e as manifestações artísticas patentes em belíssimas criações de pintura, escultura e azulejaria.

 

Peças recolhidas na Igreja e Convento da Graça entre 1989 e 2002:
Fragmento de Tijolaria – Séculos XVI-XVII
Barro cozido e cerâmica vidrada [MMLT.005466]

Fragmento de Azulejo – Séculos XVI-XVII
Cerâmica vidrada [MMLT.005465]

Fragmento de Azulejo – Século XVII
Barro cozido vidrado e policromado [MMLT.000278]

Azulejo, CA. 1725
Barro cozido vidrado e policromado [MMLT.000277]

 

Menino Jesus Bom Pastor
Escultura Indo-portuguesa – Século XVII
Marfim dourado e policromado [MMLT.000377]

Escablo, CA. 1650-1750
Banco de madeira pintada
RIU, 306

Cruz fragmentada – Idade Média
Calcário Lioz [MMT.000589]

Cantaria – Séculos XIV – XV
Calcário oolítico amarelo acastanhado [MMLT.000586]

Aduelos de arco gótico – Séculos XIV – XV
Calcário oolítico [MMLT.000587 e MMLT.000597]