Torres Vedras

"Tricô(n)tando", uma atividade em crescendo na Fábrica das Histórias

16.12.2019

Imagem da leitura do conto

“Todas as palavras tecem tapeçarias imaginárias que é preciso fazer crescer e colorir”


“O Cão e o Galo eram dois grandes amigos e ambos com espírito aventureiro. Um dia decidiram deixar a quinta onde moravam e partir à aventura para verem o mundo…”.

Foi em torno do conto “O Cão, o Galo e a Raposa” que se realizou no dia 4 de dezembro a 150.ª edição da atividade "Tricô(n)tando". Depois da leitura do conto pela responsável da Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino, Ana Meireles, o grupo participante na atividade realizou a exploração pedagógica do mesmo, enquanto as agulhas iam continuando a urdir peças de roupa e laços de amizade e afeto se continuavam a desfiar entre as participantes, aquecidos por um chá das seis acompanhado por bolinhos e pastéis de feijão. Àquela história sucederam-se e antecederam-se outras, numa “família heterogénea e espontânea” que todas as quartas-feiras ao final da tarde se reúne naquele equipamento municipal para uma atividade que até tem um caráter “terapêutico”.

Segundo Ana Meireles, em "Tricô(n)tando" junta-se “a arte de contar histórias à arte de tecer fios, o que afinal não é muito diferente porque as histórias se constroem como quem tece, nestes encontros semanais, destinados a gente de todas as idades, enquanto se ouve uma história aprende-se e ensina-se a arte da agulha, do tricô aos bordados. São sobretudo encontros que se tecem pacientemente, urdindo tecidos humanos, palavras, camisolas, luvas, mantas... Enfim, trata-se de um projeto em que tecer, tricotar, narrar, bordar... se constituem como processos simbólicos de parar o tempo, opondo-se ao seu caráter passageiro e permitindo a criação de objetos”.

Os contos lidos semanalmente são “religiosamente” guardados num caderno, que se constitui como uma espécie de “Felicidário”, com as memórias das várias sessões da atividade. Depois de histórias da mitologia, contos tradicionais e literatura contemporânea, este ano são narradas Fábulas.

E do tricôt se faz solidariedade porque muitas das peças de vestuário confecionadas no "Tricô(n)tando" são doadas a instituições de apoio social. As que estão atualmente a ser executadas destinam-se às crianças do Centro de Acolhimento Temporário Renascer.  A comunidade já inclusivamente colabora com a atividade mediante, por exemplo, a oferta de lãs.

O "Tricô(n)tando" é, de resto, uma atividade com um sucesso crescente, que tem acompanhado o desenvolvimento da Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino. Teve início no final de 2013. No ano seguinte contava com 104 participações. Depois com 154. Em 2016 com 344. Em 2017 com 439. E no ano passado com 527.

E a evolução do projeto não pára. Desde a semana passada, participantes no mesmo começaram a receber formação, no âmbito da atividade “O Nó das Vozes”, para que possam replicar a contação de histórias noutros contextos. Para o próximo mês de abril está já inclusivamente prevista uma atividade de contação junto de alunos adultos imigrantes da Escola Secundária Henriques Nogueira.

O novelo desta atividade continuará a desfiar-se e, por certo, a tecer bonitas histórias.

O "Tricô(n)tando" tem lugar às quartas-feiras, pelas 17h30, na Fábrica das Histórias – Casa Jaime Umbelino. A participação nesta atividade não requer inscrição prévia.

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