Torres Vedras

Música antiga trouxe “vida” em tempos de pandemia

04.11.2020

Desfrutar da cultura, mais concretamente de música antiga, em espaços religiosos históricos.

É esta a proposta do Festival de Música Antiga de Torres Vedras, que teve a sua segunda edição, entre os dias 18 de outubro e 1 de novembro, em igrejas do Concelho.

Sendo um importante evento "fora de sítio”, este festival constitui, segundo o seu diretor artístico, Daniel Oliveira, “uma excelente oportunidade de levar música às comunidades, dialogando com as mesmas, num forte sentido de convergência e de familiaridade, contribuindo para uma oferta cultural de qualidade, mas também que seja inovadora e aberta”.

Recriando cores sonoras e práticas musicais históricas, a segunda edição do Festival de Música Antiga de Torres Vedras privilegiou a música europeia dos séculos XVI, XVII e XVIII, trazendo músicos e agrupamentos já consagrados em festivais de música antiga, quer em Portugal, quer no estrangeiro.

A Igreja de Santa Maria Madalena, no Turcifal, acolheu o primeiro concerto da edição de 2020 do festival, uma atuação “à capella” na qual o Ensemble Vocal São Tomás de Aquino proporcionou uma agradável viagem pela música da renascença, em diálogo com algumas peças da atualidade inspiradas nos cânones da composição renascentista, lembrando a forte ligação entre música e liturgia; o evento prosseguiu na Igreja de Nossa Senhora da Graça, na Póvoa de Penafirme, onde Hugo Sanches, intérprete de tiorba e alaúde, e a soprano Adriana Romero, apresentaram um programa intimista, onde o sacro e o profano se tocaram, recriando o ambiente madrigalesco do período barroco; o II Festival de Música Antiga de Torres Vedras chegou ao seu término com um concerto do ensemble Alma Veteras (agrupamento residente do festival), na Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Torres Vedras, no qual a sonata barroca dialogou com textos universalmente consagrados pela literatura, os quais foram declamados pelo ator Paulo Oom, numa autêntica "dança" entre a música e a palavra.

Não esquecendo a área pedagógica, o programa deste II Festival de Música Antiga de Torres Vedras incluiu também uma interessante oficina de improvisação barroca, na qual participaram alunos de escolas de música.

De referir que nos mencionados concertos, os quais foram sempre devidamente contextualizados, verificou-se lotação esgotada, assim como uma elevada visualização via streaming, o que demonstrou uma forte “sede” de cultura por parte da população. 

De salientar assim o aspeto sociológico da segunda edição do Festival de Música Antiga de Torres Vedras, o qual foi, segundo Daniel Oliveira, “uma autêntica fonte de boa energia, um sinal de esperança para a sociedade e um estímulo cultural importante, quer para os artistas quer para o público”. 

Daniel Oliveira faz, de resto, um balanço bastante positivo da iniciativa, a qual demonstrou “que a cultura é possível mas em segurança, cumprindo todas as normas em vigor, tendo sido uma "luz" no meio deste contexto social deveras complexo que vivemos. Esta é claramente uma forte aposta numa cultura descentralizada, democratizada, em que o património dialoga com a arte, por todos e para todos", conclui.

O II Festival de Música Antiga de Torres Vedras foi organizado pela Câmara Municipal com a parceria das paróquias e juntas de freguesia dos locais onde decorreu, bem como da Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues.


Última atualização: 05.11.2020 - 11:41 horas
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