Torres Vedras

Coleção paleontológica adquirida pelo Município continua a revelar dados

19.04.2017

A Península Ibérica teria há 150 milhões de anos uma diversidade de dinossauros saurópodes maior do que outros continentes pelas diferenças encontradas nos dentes desses animais, conclui um estudo liderado por portugueses ligados à Sociedade de História Natural, de Torres Vedras...

Este trabalho permitiu concluir que a diversidade morfológica dos dentes de saurópodes [dinossauros de pescoço e cauda compridos] no Jurássico Superior de Portugal é maior que a conhecida para as faunas amplamente conhecidas do Jurássico Superior da América do Norte e de África. Este trabalho resulta na tese de doutoramento do paleontólogo Pedro Mocho, que teve o apoio da Sociedade de História Natural (SHN), uma instituição científica sediada em Torres Vedras.

O estudo, publicado recentemente na revista científica “Papers in Palaeontology”, explica que, embora o número de espécies de saurópodes do Jurássico Superior de Portugal fosse inferior ao norte-americano, os grupos de saurópodes seriam “tão diversos” como os outros. Os investigadores identificaram dentes diferentes em espécies de saurópodes de pelo menos quatro grupos diferentes – turiassauros, diplodocóides, camarassaurídeos, e braquiossaurídeos.

“Esta variabilidade poderia estar relacionada com o facto de a morfologia dos dentes variar com a respetiva posição do dente na boca de um mesmo animal ou também pela presença de diferentes espécies”.  Os cientistas associados à SHN e a outras instituições internacionais, encontram também explicações no facto de os ambientes na Península ibérica durante o Jurássico Superior serem “mais húmidos, promovendo uma maior diversidade nas faunas, do que de aquela que se verifica no oeste dos Estados Unidos da América, onde os ambientes seriam semiáridos, do tipo savana”. Nesta investigação, foram estudados e comparados mais de 60 dentes de saurópodes descobertos não só em Portugal, como também em Espanha, Estados Unidos da América e África.

O trabalho incidiu sobretudo no estudo de materiais osteológicos resultantes da coleção composta por recolhas por parte de José Joaquim dos Santos, dos Casalinhos de Alfaiata, a qual foi cedida há vários anos ao Município e que se encontra atualmente em estudo e gestão científica pela Sociedade de História Natural (SHN), através de um acordo de parceria entre as duas instituições. Recorde-se que esta grande coleção, conjuntamente com o enorme acervo resultante das escavações da Sociedade de História Natural, compõem atualmente uma das maiores coleções da Península Ibérica (e muito possivelmente a nível europeu) de vertebrados fósseis do Jurássico Superior. Por outro lado, estas coleções ao cuidado da SHN totalizam o registo de dinossauros e outros vertebrados fósseis mais extenso do território nacional, com espécimes identificados ao longo de cerca de 150 km de litoral.

O objetivo da SHN, e em estreita colaboração com o Município, será a criação de um museu paleontológico que mostre o vasto espólio recolhido ao longo dos últimos 30 anos quer por esta instituição quer por José Joaquim dos Santos, numa perspetiva pedagógica, científica, lúdica e de potencialização do turismo no concelho.