Torres Vedras

Ciclo de Órgão de Torres Vedras, um evento em crescendo

28.01.2020

Imagem do terceiro concerto do IV Ciclo de Órgão de Torres Vedras

As sonoridades do órgão regressaram nos últimos meses à Igreja da Misericórdia com a quarta edição do ciclo dedicado a este instrumento musical realizado em Torres Vedras.

Tratou-se de uma organização da Câmara Municipal e da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras, que contou com o apoio institucional do Patriarcado de Lisboa, Cultur'Canto - Associação Cultural, paróquias de Torres Vedras, Academia Stella Maris e escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues

Foi a partir das sonoridades emanadas do restaurado órgão barroco Bento Fontanes que se realizou mais um ciclo de órgão de Torres Vedras, o qual teve como inovação os miniconcertos "à la carte", que aconteceram nas quintas-feiras de novembro à hora de almoço, nos quais o público pôde escolher o que quis ouvir de acordo com o “menu musical" apresentado. Estes miniconcertos, em que os espetadores eram convidados no final dos mesmos para um bolo e um café, constituíram-se como um autêntico sucesso, tendo a respetiva plateia oscilado entre as 45 e as 100 pessoas.

De resto, à semelhança do que se passou nas suas edições anteriores, a iniciativa teve como “prato forte” os concertos realizados ao final da tarde de domingos. “Música para órgão e canto no barroco ibérico, italiano e alemão” foi o tema do primeiro, que aconteceu no dia 17 de novembro, recriando historicamente a música que se fazia em Portugal no século XVIII, por intermédio da voz da soprano Mariana Castello-Branco, que foi acompanhada pelas sonoridades de órgão e baixo-contínuo a cargo de Daniel Oliveira; “Um conto de Natal....na música para filmes” foi o segundo concerto deste IV Ciclo de Órgão de Torres Vedras, o qual se realizou no dia 15 de dezembro, interpretado pela Academia de Música Stella Maris (Peniche) e o organista Gerardo Rodrigues; tendo a iniciativa chegado ao seu término no dia 26 de janeiro com o “Concerto de Ano Novo: Música para Coro e Órgão”, o qual contou com a honrosa participação do organista espanhol Jesús Sampedro, que, para além de ter executado temas a solo, interpretou também obras corais de várias tradições e épocas acompanhado pelo prestigiado Coro Masculino da Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues. De realçar que estes concertos tiveram lotação esgotada, tendo assistido, a cada um, cerca de 300 pessoas, de diversas idades. De salientar também o elevado número de visualizações que se registou na transmissão on-line destes concertos, os quais continuam acessíveis em redes sociais.

Do programa da iniciativa constou ainda uma masterclass dinamizada pelo organista Jesús Sampedro, na qual participaram alunos oriundos dos conservatórios do Porto, Évora e Lisboa.

De uma forma global, esta edição do Ciclo de Órgão de Torres Vedras registou um acréscimo de afluência de público relativamente à sua edição anterior, prova de que este evento constitui-se já como um marco na agenda cultural de Torres Vedras, sendo de realçar o carinho que o público local tem para com o mesmo, até pela sua dimensão patrimonial. Sublinhe-se também que o evento mostrou-se mais consolidado, mais consistente e com um público cada vez mais exigente, oriundo não apenas do Concelho, mas também de concelhos vizinhos, e inclusivamente de Lisboa, sendo também de referir a presença de muitos turistas estrangeiros na iniciativa. Também segundo as palavras do diretor do Ciclo de Órgão de Torres Vedras, Daniel Oliveira, “foi claramente uma edição forte, com muito e caloroso público, onde pela primeira vez o ciclo entrou na corrida da internacionalização, colocando Torres Vedras no mapa organístico a nível europeu”. "Música por todos e para todos" continuará a ser o lema do evento, cuja filosofia assenta na “democratização da arte musical”, sendo por isso “acessível a todos sem qualquer diferenciação social, formando e incutindo no público um genuíno gosto pela música de órgão, também com a preocupação de formar e sensibilizar novos públicos. É claramente uma aposta ganha”, conclui Daniel Oliveira.

  


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