Torres Vedras

Seminário abordou a geologia na cultura da vinha na região

10.04.2018

No âmbito do programa da “Cidade Europeia do Vinho Torres Vedras/Alenquer”, realizou-se entre os dias 6 e 8 de abril o Seminário A Geologia na rota do vinho e da vinha na região de Lisboa.

Esta iniciativa teve início no final da tarde de sexta-feira na Câmara Municipal de Alenquer com uma sessão de boas vindas, a que se seguiu uma prova de vinhos comentada por Vasco Avilez (presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa) e um jantar enológico com animação musical no Museu do Vinho daquela vila.

O seminário teve continuidade na manhã do dia seguinte no Edifício dos Paços do Concelho onde o presidente da Câmara Municipal interveio na conferência de abertura. Na ocasião Carlos Bernardes recordou que o plano estratégico do turismo prevê a aposta no setor do enoturismo, tendo frisado a importância de iniciativas como o seminário que estava a decorrer dada a importância de se conhecer a diversidade de terrenos que o concelho possui, um ativo que deve ser potenciado. O presidente da Câmara Municipal anunciou ainda que a "Rota dos Vinhos de Lisboa" é um projeto praticamente fechado, o qual dará origem a uma associação que certamente contribuirá positivamente para os vinhos da região.

Já o presidente da Associação Portuguesa de Geólogos, José Romão, sublinhou a sensibilidade do Município para a área das ciências, agradecendo o contributo do mesmo para a realização do seminário.

Seguidamente interveio o presidente da APE (Associação Portuguesa de Enologia) que na sua comunicação, intitulada “Vinho Português: o sucesso da inovação pela tradição”, recordou que o cultivo da vinha na Península Ibérica terá começado antes da ocupação romana (cerca de dois mil a.C.), mas que terá sido a partir da mesma que se terá dado o grande desenvolvimento da produção vitivinícola nesta zona da Europa. António Ventura relembrou também o grande incremento daquela cultura na Idade Média no contexto da Reconquista Cristã e no âmbito da criação de coutadas, tendo igualmente referido que em 1870, época em que foram criadas as primeiras escolas agrárias e surgiram problemas na agricultura como a filoxera, existiam no território nacional cerca de 200 mil ha de vinha, pouco menos do que existe hoje, uma área que subiu nos anos 30 para os 340 mil ha. Frisou ainda a criação na década de 60 das adegas cooperativas, por incentivo da Junta Nacional do Vinho, as quais disciplinaram a produção, regularizaram o mercado e acrescentaram uma componente técnica à atividade, o que se traduziu numa melhoria da qualidade dos vinhos. Referiu também que embora nos anos 60 a produção de vinho em Portugal fosse o dobro em relação aos dias de hoje, feita essencialmente no Alto Douro, Ribatejo e Estremadura, a mesma aumentou nos últimos anos, sendo que a Região de Lisboa é a segunda maior produtora no contexto nacional, responsável por uma fatia de 19%, a zona que mais tem evoluído nesta área económica e a que abriu os mercados externos aos vinhos portugueses. Relembrou ainda a modernização da produção nos anos 80 que foi marcada pela substituição de castas, revelando que Portugal é atualmente o 11.º maior produtor de vinho a nível mundial, antecedido pela Alemanha no respetivo ranking. Apostar nos vários nichos de mercado em que têm tido sucesso, mas aumentando o seu valor, é na opinião de António Ventura o caminho que os vinhos de Lisboa devem seguir.

No início do painel sobre "Geologia e Viticultura", João Paulo Santos, docente do Externato de Penafirme, explicou que Torres Vedras tem sido um dos maiores produtores de vinho do país devido às suas características geográficas e geológicas, afirmando, após também uma abordagem histórica à produção de vinho, que o século XXI é o século da “vocação confirmada” para os vinhos portugueses.

“Enologia, Geoturismo e Enoturismo” foi o tema do segundo painel deste seminário, que prosseguiu pela tarde com a realização da “Rota geoenoturística de Torres Vedras”, que incluiu passagens pelo Centro de Interpretação das Linhas de Torres, Termas dos Cucos, Vale tifónico de Matacães e bacia de Runa e Adega Mãe, onde teve lugar uma prova de vinho comentada. O dia terminou com um jantar convívio e animação no restaurante ROOTS, o que incluiu uma prova de vinhos comentada por António Ventura.

A visita de estudo terminou no dia seguinte com a realização da “Rota geoenoturística de Alenquer”.

De referir que este seminário permitiu aos participantes adquirir saberes relativos às interações entre a geologia, a vinha e o vinho, para além de conceitos relativos ao geoturismo e ao enoturismo. Pretendeu-se, igualmente, com esta iniciativa, promover e divulgar o património geológico, vinhateiro e paisagístico da Região de Lisboa, mais concretamente as regiões demarcadas de Torres Vedras e Alenquer, bem como o seu património histórico, arqueológico e cultural.

Este seminário, que foi organizado pela APG - Associação Portuguesa de Geólogos, pela “Cidade Europeia do Vinho 2018” e pelo CFETVL -  Centro de Formação das Escolas de Torres Vedras e Lourinhã, com os apoios das câmara municipais de Torres Vedras e de Alenquer, da Quinta do Monte d'Oiro e do LNEG - Laboratório Nacional de Energia e Geologia, contou com 45 participações.