Torres Vedras

Oito séculos da presença franciscana em Portugal foram assinalados no Varatojo

30.04.2018

O Convento do Varatojo acolheu este sábado, dia 28 de abril, a cerimónia de encerramento das comemorações dos 800 anos da presença franciscana em Portugal.

Na mesma marcou presença o Presidente da República, que iniciou a cerimónia com o descerramento de uma placa alusiva à visita, tendo logo de seguida sido presenteado pelo rancho folclórico da localidade, que o tinha recebido com as suas danças e cantares, bem como pela irmandade franciscana, que também o recebera com os seus cânticos.

Seguiram-se os discursos, em que usaram da palavra Nicolás Almeida (guardião do Convento do Varatojo e representante da respetiva irmandade) e Fernando Cabecinhas (provincial nacional da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos), antecedendo a intervenção do presidente da Câmara Municipal. Carlos Bernardes frisou na ocasião o orgulho que era o concelho acolher a cerimónia de encerramento dos oito séculos de presença franciscana no país, enaltecendo não apenas o papel evangelizador da Ordem na zona de Torres Vedras, mas também a sua importante ação na área da Educação, o que incluiu a criação da escola primária do Varatojo, uma das primeiras no território torriense, onde o falecido ex-presidente da Câmara Municipal, Alberto Avelino, iniciou o seu percurso académico. O presidente da Câmara Municipal aproveitou ainda o momento para homenagear o frei António Crispim, recentemente falecido, bem como para recordar a ligação entre Torres Vedras e Alenquer, que são este ano "Cidade Europeia do Vinho", por meio da Ordem Franciscana, já que foi nesta vila oestina que no século XIII a Ordem criada por S. Francisco de Assis fundou o seu primeiro convento em Portugal, tendo dois séculos mais tarde sido construído o Convento do Varatojo. Na ocasião Carlos Bernardes anunciou que até 2027 Portugal terá de novo uma capital europeia da Cultura, sendo que até 2021 a região Oeste apresentará uma candidatura para o efeito.  

Por fim, usou da palavra o Presidente da República, que recordou a sua vivência juvenil no Grupo da Luz, com os Franciscanos, entre os quais o torriense frei Vítor Melícias, e o atual secretário geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, onde se refletiu sobre um futuro de um “Portugal diferente”. Marcelo Rebelo de Sousa relembrou ainda a forma como S. Francisco e Santa Clara de Assis abalaram na Alta Idade Média a consciência do Ocidente e foram chamados a renovar a Igreja, enaltecendo a maneira como o atual Papa recuperou o ideário destes santos por meio de valores como os da Igualdade, da Justiça e da Ligação à Natureza e ao Universo, apelando a uma atitude de despojamento material. O Presidente da República sublinhou também a marca que a Ordem Franciscana deixou no país, não só pela construção de conventos em várias localidades, mas também pela forma como acompanhou a própria História de Portugal e a edificação do seu Império por meio do envio de milhares de missionários para a cristianização das colónias ultramarinas. Por não poder ficar indiferente a este facto, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou o momento para anunciar que irá condecorar a Ordem Franciscana como membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, a qual é segundo o responsável máximo da Nação “uma luz que continua a brilhar no mundo”.

Terminados os discursos, a comitiva dirigiu-se para a igreja do convento, onde tiveram lugar as vésperas solenes interpretadas pelo Coro da Camerata Vocal de Torres Vedras, a que se seguiu um convívio fraterno e um jantar.

De referir que também marcou presença nesta cerimónia o bispo auxiliar de Lisboa, Joaquim Mendes.

Recorde-se que o Convento do Varatojo foi mandado construir pelo rei D. Afonso V (a primeira pedra do mesmo foi lançada em 1470 por este monarca a quem foi atribuído o cognome d’ “O Africano”), na sequência de uma “promessa bélica”, como contou na ocasião o Presidente da República, tendo do mesmo saído um grande número de missionários que exerceram as suas funções na região, mas também além-mar. De salientar desses, o bispo missionário torriense D. Rafael Maria da Assunção, natural do Varatojo, que realizou um importante trabalho missionário na zona da Beira (Moçambique) durante a primeira metade do século XX.