Torres Vedras

Agricultura e Solo

Agricultura

As fileiras com maior peso no Concelho de Torres Vedras, tendo apenas em conta a área ocupada, são a vinha, culturas forrageiras e pastagens, culturas cerealíferas, fruticultura, batata e horticultura.

Importa referir o elevado minifúndio existente. Com um valor médio inferior a 0,5 explorações por hectare, surgem com grande significância as culturas industriais, prados e pastagens permanentes, viveiros, prados temporários e culturas forrageiras, cereais para grão, frutos frescos e vinha.

Apesar de heterogéneo, o concelho, pode-se caracterizar, de um modo geral, como que dividido em dois sectores. Segundo o Plano Diretor Municipal:

  • Setor norte: relevo menos acentuado, povoamento menos disperso e um menor aproveitamento agrícola, prevalecendo a floresta;
  • Setor sul: relevo mais acidentado, solos mais férteis, maior conforto ambiental, maior aproveitamento agrícola, povoamento mais disperso.

As freguesias com maior área ocupada com atividades agrícolas são: Dois Portos, Ventosa, Turcifal, São Pedro da Cadeira e A dos Cunhados.

A cultura que apresenta maior dinamismo é a horticultura, havendo cada vez mais uma maior profissionalização e investimento em infraestruturas e equipamentos.

O Concelho de Torres Vedras é ainda caracterizado por uma enorme mancha florestal com 9.200ha, cerca de 22% do território do município. A norte predominam os sistemas florestais direcionados essencialmente para a produção de madeira, sustentados pelo eucalipto e pinheiro bravo, enquanto que no centro e sul as matas seculares associadas a quintas, conventos e capelas complementam frequentemente atividades agropecuárias e silvo-turísticas.

 

Desertificação e Qualidade dos Solos

De um modo quantitativo, os solos calcários destacam-se como a unidade de solo com maior área ocupada, especialmente na zona sul do concelho. Neste tipo de solos o crescimento é afetado pela deficiência de alguns nutrientes (fósforo e alguns micronutrientes, nomeadamente o ferro). A sua vocação é mal definida, sendo de difícil aplicação em muitas plantas ornamentais e fruteiras. No entanto estas limitações podem ser corrigidas através de práticas de fertilização adequadas.

Os Solos Argiluviados Pouco Insaturados são também bastante representativos no concelho, são Solos Mediterrâneos, Vermelhos ou Amarelos que, de um modo geral, não são muito indicados para regadio, tendo no entanto alguma vocação para olivicultura e cerealicultura.

Solos Incipientes são solos não evoluídos, sem horizontes genéticos claramente diferenciados, praticamente reduzidos ao material originário e Solos Podzolizados são solos evoluídos de textura muito ligeira, predominando as frações areia grossas e finas. A razão C/N é elevada, tendo no entanto uma capacidade de troca catiónica e capacidade de campo muito baixas. A sua expansibilidade é nula e a permeabilidade rápida. É ainda de referir que são solos pobres em elementos orgânicos. De um modo geral, têm vocação florestal.

Os Solos Litólicos são solos pouco evoluídos, formados a partir de rochas não calcárias, com pequena espessura efetiva e frequentemente pobres sob o ponto de vista químico, com baixo teor em matéria orgânica e expansibilidade baixa ou nula. Possuem permeabilidade rápida e capacidade de campo104 mediana (Fonte: Abreu, A., 1977). De um modo geral, têm vocação florestal.

Os solos referidos representam mais de 80% do território do Concelho de Torres Vedras.

 O solo constitui não só o suporte das comunidades vegetais mas também uma reserva de nutrientes e de água necessários ao desenvolvimento das plantas. Assim, deve-se proteger e preservar aqueles solos que possuem maior potencialidade ou interesse agrícola e/ou ecológico.

O valor ecológico dos solos é determinado com base na quantidade e tipo de biomassa que cada tipo de solo pode suportar, parâmetros dependentes das suas características edáficas como o teor de minerais, estrutura, teor de matéria orgânica.

Com base neste objetivo, foram estabelecidas 5 classes para o Valor Ecológico do Solo:

Classe 0 – Áreas Sociais – sem qualquer possibilidade de uso do terreno;

Classe 1 – Solos de Muito Elevado Valor Ecológico – solos que deverão apresentar considerável espessura efetiva e os maiores índices de fertilidade, criando condições muito propícias à produção de biomassa e ao desenvolvimento das plantas. Por esta razão deverão ser preservados e protegidos. Esta classe inclui:

  • Todos os Aluviossolos;
  • Todos os Coluviossolos;
  • Todos os Mólicos;
  • Barros com exceção dos que se encontram em fase delgada ou pedregosa.

Classe 2 – Solos de Elevado Valor Ecológico – solos com potencialidades para a produção de biomassa, mas que apresentam características menos favoráveis que a classe 1. São solos associados a ecossistemas específicos que interessa preservar. Nesta classe estão incluídos:

  • Barros em fase delgada ou pedregosa;
  • Argiluviados Pouco Insaturados com exceção dos que se encontram em fase delgada ou pedregosa.

Classe 3 – Solos de Valor Ecológico Variável – solos de valor ecológico menor que os anteriores mas que em algumas condições podem apresentar condições que justifiquem a sua proteção. Estão incluídos nesta classe:

  • Argiluviados Pouco Insaturados em fase delgada;
  • Solos Litólicos húmicos;
  • Solos Litólicos não húmicos que se apresentem em fase evoluída;
  • Solos Calcários em fase agropédica;
  • Solos Podzolizados exceto os que se encontram em fase delgada ou pedregosa;
  • Solos Halomórficos;
  • Solos Hidromórficos.

Classe 4 – Solos de Reduzido Valor Ecológico – solos pouco evoluídos, menos férteis e delgados, com pouca potencialidade para a produção de biomassa. Incluem-se nesta:

  • Solos Podzolizados em fase delgada e pedregosa;
  • Litólicos não húmicos;
  • Solos Calcários;
  • Regossolos.

Classe 5– Solos de Muito Reduzido Valor Ecológico – estão incluídos solos incipientes ou em fases muito delgadas com valor ecológico praticamente nulo:

  • Solos Litólicos húmicos em fase delgada;
  • Solos Litólicos não húmicos;
  • Solos calcários em fase delgada;
  • Litossolos;
  • Afloramentos Rochosos.

As zonas identificadas de muito elevado valor ecológico (Classe 1), correspondem às zonas que, ao nível dos solos existentes, serão as mais férteis. Correspondem maioritariamente aos vales das linhas de água, correspondendo a uma área de cerca 4.825ha (cerca de 12% do concelho).

Os solos de maior fertilidade (Classe 1 e Classe 2) apenas ocupam 25% do território (cerca de 10.500ha), situando-se essas áreas na zona sul do Concelho e no seu extremo sul.